Passei anos entrevistando pessoas para viver. Se o jornalismo me ensinou algo sobre liderança, foi isto: a qualidade da resposta que você recebe depende da qualidade da escuta que você oferece.
Escutar não é esperar a vez de falar
Na maioria das reuniões, ninguém escuta — as pessoas recarregam. Enquanto um fala, o outro ensaia a réplica. O resultado é uma sala onde todos falam e nada muda.
Escuta ativa é outra postura, e ela é visível: o corpo voltado para quem fala, a pergunta que nasce do que acabou de ser dito (não da pauta), o resumo antes da discordância — “deixa eu ver se entendi…”.
O que ela produz numa equipe:
- Gente que traz problema cedo, porque sabe que será ouvida antes de ser julgada.
- Reuniões mais curtas, porque ninguém precisa repetir três vezes o mesmo ponto.
- Decisões melhores, porque a informação incômoda chega até quem decide.
Numa entrevista, a melhor pergunta é quase sempre a que nasce da resposta anterior. Numa equipe, também.
O teste é simples: na próxima conversa difícil, proíba-se de responder antes de resumir o que o outro disse — e ver o outro concordar com o resumo. Parece pouco. Muda tudo.