A câmera não perdoa improviso mal preparado. Em vinte anos entrevistando executivos — e depois treinando-os —, vi os mesmos cinco erros se repetirem em empresas de todos os tamanhos.
1. Responder a pergunta errada. O jornalista pergunta uma coisa; o executivo responde o que ensaiou. A audiência percebe em segundos — e desconta na credibilidade.
2. Falar em “empresês”. Sinergia, alavancar, endereçar. Nenhuma dessas palavras sobrevive a uma mesa de bar — e é lá que sua mensagem precisa chegar.
3. Ignorar a câmera entre uma pergunta e outra. O microfone desliga; a imagem, nunca. O suspiro, o olhar para o assessor, o sorriso de alívio: tudo vira recorte.
4. Decorar frases em vez de ideias. Frase decorada trava na primeira interrupção. Ideia clara se reconstrói com outras palavras quantas vezes for preciso.
5. Tratar a entrevista como ameaça. Quem entra na defensiva responde menos e pior. Entrevista é palco emprestado: é a sua chance de falar com um público que você não alcançaria sozinho.
A câmera amplifica o que existe. Preparo vira presença; nervosismo vira notícia.
O antídoto para os cinco é o mesmo: mensagem central definida antes, treino em situação real e alguém do outro lado fazendo as perguntas difíceis primeiro.